Xeque-Mate

Olá, queridos leitores! (se ainda houver algum, hehe)

Como vão passando? Espero que bem.

Bom, finalmente vamos ter mais uma resenha! Ao som sempre infalível de Legião Urbana e Capital Inicial, resolvi escrever sobre uma obra que li ainda ano passado: “O Enigma do Oito”, escrito pela americana Katherine Neville em 1988.

Capa do livro, pela editora Rocco

O título do post é um tanto clichê (mas eu estava sem imaginação, perdoem-me), uma vez que a trama principal da história é justamente a do lendário Xadrez de Montglane, um magnífico serviço completo de xadrez dado pelos mouros a Carlos Magno. (Bom, “lendário” seria o termo usado no livro, porque tal jogo é uma invenção da autora… ;D) O xadrez é um artefato que, por gerações, séculos e até milênios, provocou fascínio nas personalidades mais interessantes em que você puder pensar, e também em anônimos nos quais você não poderia ousar imaginar (obviamente, porque são anônimos). De Catarina, a Grande, a czarina russa, ao francês Cardeal Richelieu, incontáveis famosos procuraram e caçaram o segredo do jogo, que, dizia-se, conferia poderes extraordinários àqueles que o possuíssem. Para sua proteção, Carlos Magno escondeu as peças na pequenina Abadia de Montglane, na França, onde permaneceu até certo momento da nossa história… Falaremos sobre isso daqui a pouco.

Xadrez de St Louis, tão ornamentado quando o de Montglane

Dois enredos acompanham a história do Xadrez, de forma intercalada e inextricável.

O mais antigo remonta ao limiar da Revolução Francesa (deu para notar que eu gosto de romances ambientados nessa época, né?), mostrando-nos a vida de Mireille e sua prima, Valentine, duas freiras da Abadia de Montglane encarregadas de proteger algumas das peças do Xadrez e servir de apoio a outras freiras na mesma situação. Elas foram obrigadas a dispersar-se da Abadia pois as peças estavam na mira do Bispo de Autun, ninguém menos que Maurice Talleyrand, o político francês influente durante todo o período antes, durante e depois da Revolução. As primas, então, abrigam-se com o Tio David, em Paris. (O tio é o verdadeiro Jacques-Louis David, que pintou o próprio Napoleão várias vezes). Durante a estada em Paris, Valentine é morta pelo cruel Marat, (isso mesmo, o inflamado jornalista revolucionário), e Mireille envolve-se com Talleyrand, engravidando. A essa altura, embora ele já esteja intensamente apaixonado pela moça, ela o deixa, atrás de mais informações sobre o Xadrez, empreendendo viagens a Rússia, Inglaterra, Egito…

O outro enredo situa-se na década de 1970, quando a especialista em computadores, Cat Velis, após presenciar inúmeros incidentes no mínimo estranhos no mundo do xadrez profissional, é enviada por sua empresa à Argélia, a fim de trabalhar em projetos relacionados a petróleo. Nem lá, porém, ela estará a salvo de todas as situações suspeitas que viveu em Nova Iorque. O renomadíssimo enxadrista soviético Alexander Solarin, que sempre aparece nas piores horas, parece gostar dela; os agentes do governo argelino agem de forma estranha e sua amiga, a rica jogadora de xadrez Lily, aparece em meio ao deserto para aumentar a confusão. Cat, sem seu consentimento, se vê presa em um jogo de xadrez; em um esquema para encontrar o Serviço de Montglane. Todos parecem estar envolvidos nesse complô e Cat, ocupando uma posição chave no jogo, não sabe exatamente em quem pode confiar.

Bom, até aí, as tramas parecem paralelas e desassociadas, ligadas apenas pelo Xadrez de Montglane. Entretanto, uma está profundamente atrelada a outra de forma muito surpreendente.

Minha opinião: o livro é muito bom, pois seu enredo é altamente envolvente e as personagens são cativantes. É muito difícil não se afeiçoar a Cat, Mireille ou mesmo a Maurice (o que achei chocante, porque jamais pensei que o chamaria pelo primeiro nome ou mesmo que gostaria dele, rsrs). Além disso, pouquíssimas vezes li uma obra tão bem engendrada. A autora conseguiu, magistralmente, encaixar seu enredo a personagens e acontecimentos reais ou factíveis, parecendo que todo o desenrolar dos fatos históricos foi, de alguma forma, provocado pelo Xadrez de Montglane.

Mas, acima de tudo, achei muito interessante e engraçado cruzar com personalidades históricas tão enfáticas e marcantes quanto Napoleão, Robespierre, Marat, Talleyrand, Bach, a Czarina Catarina, Delacroix ou mesmo o ex-ditador líbio, Muamar Kadaffi, que estava no auge de seu poder nos anos 1970 (e em plena Guerra civil quando eu li o livro.)

A famosa pintura de Delacroix,

Tenho apenas uma crítica à obra. Achei o final um tanto rápido, utilizando-se de um Deus ex Machina, ou seja, de uma solução repentina que resolve o problema. Pode ter sido só impressão, mas fiquei pensando que um livro tão bem desenvolvido poderia ter um final mais elaborado.

De qualquer forma, super recomendo a leitura dessa história maravilhosa. É fácil de ler e díficil de largar!

Sua etc,

Ms Reads

P.S.: Não esqueçam de ler algo de Charles Dickens! Seu bicentenário se aproxima…

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