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Love is in the air… Parte IV

Olá, queridos leitores!

Como está a vida, leitor? Espero que boa com As Festas chegando… 🙂 Muito bem, vamos a outro romance? Esse será o último dessa série por um tempo, já que há outros estilos literários nos esperando!

4. Mar Morto

Vamos agora deixar para trás aquele terreno sólido e decoroso dos romances ingleses escritos por mulheres no século XIX, e passar para um cenário completamente diverso, a Bahia do século XX, a Bahia de Jorge Amado. “Mar Morto”, escrito por Jorge Amado em 1936, é um livro sobre os homens do mar, um romance e uma crítica. Talvez seja até mais uma crítica e uma representação da sociedade que um romance, mas é impossível não se apaixonar pela história de amor dos protagonistas.

Capa de uma das edições do livro

Guma, criado pelo tio, nasceu e cresceu no cais, conhecendo os mares como poucos e aceitando, resignado, o destino de todo homem do mar: a morte por Iemanjá, nas águas traiçoeiras do oceano. Talvez o segundo grande amor de Guma tenha sido a própria Iemanjá, que, como escreveria Jorge Amado, é esposa e mãe de todos os marinheiros. Mas, embora tenha tido amantes, dentre elas a famosa no cais, a determinada e forte Rosa Palmeirão, Guma nunca mais foi o mesmo após ver Lívia. Ao ter contato com seus olhos pela primeira vez, Guma soube que ela haveria de ser dele. Lívia era uma moça da cidade e havia sido criada para um futuro muito melhor que o de esposa de marinheiro, aquela mulher que aguardava todos os dias pelo momento em que ouviria falar da morte do marido. Mas Lívia também amou Guma desde o primeiro momento e, após fugir com ele em uma tempestade para uma ilha “amaldiçoada”, os dois se casaram. Juntos, tiveram um filho e, embora Lívia amasse muito ao marido, vivia envolta no medo de perdê-lo. Eventos de natureza sigilosa, porém, acontecem, podendo colocar a pequena e feliz família em risco…

Saveiro, meio de transporte e sustento de Guma (Barco de dois mastros, que se destina à pesca ou ao transporte de mercadorias.)

É difícil bolar questões, como no final de todos os livros que citei até agora na série Romances, para este livro. Não posso começar a escrever: Que são esses eventos devastadores? Qual a sua consequência para a vida das personagens? Viveria Lívia para sempre engolfada em seus receios? Perceberia Guma que era mais saudável para sua família afastar-se do mar? Poderia o amor dos dois vencer barreiras, etc, etc? Essas interrogações não fazem sentido algum, pois, brilhantemente, Jorge Amado nos faz saber o final do livro já no primeiro capítulo, e, ainda sim, torna-se necessário ler toda a obra para entender o que já sabíamos desde o princípio.

O desfecho do livro é absolutamente lindo, emocionante e inspirador, podendo nos tocar e/ou nos fazer refletir. Recomendo a obra a todo aquele que quiser uma leitura mais original, um clássico que não é bem um “grande” clássico; a todo aquele que desejar ler uma história interessante e magistralmente escrita. Apenas advirto: é um livro pesado, tanto pela temática, que requer maturidade, quanto por sua abordagem e construção, uma vez que a linguagem e a estruturação das frases não são das mais simples.

Espero que gostem!

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Sua etc.,

Ms Reads

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Love is in the air… Part III

Olá, estimados leitores!

Como vão? Bom, hoje teremos mais um emocionante capítulo da série: Romances…

3. Norte & Sul

É o último romance vitoriano, juro. (“Jane Eyre” também era vitoriano). Escrito por Elizabeth Gaskell, em 1855, essa obra foi editada por ninguém menos que o ilustre Charles Dickens e é a mais pesada das que mencionamos anteriormente, à medida que apresenta críticas ferrenhas a sociedade inglesa pós-Revolução Industrial.

Margaret Hale foi criada junto à tia, em Londres, mas ama com todo coração a paróquia onde vivem os pais, no campo, ao sul da Inglaterra. Quando o Sr. Hale, em dúvida sobre doutrina da Igreja Anglicana, desliga-se desse órgão, a família é obrigada a se mudar para a cidade industrial de Milton-Northern, inspirada na real Manchester. Lá, o Sr. Hale dá aulas a adultos, sendo um de seus pupilos o industrial Sr. John Thornton. Margaret, a princípio, detesta a cidade, impregnada de fumaça, povoada por gente muito simples, ignorante e rude, contrastando demais com a sociedade rural que ela amava e pintava como perfeita. E o Sr. Thornton, para ela, está no topo disso, dono de uma das fábricas da região. Desde o início, Thornton encanta-se com a moça, gentil e sofisticada. Quando, em uma das manifestações dos operários, Margaret o salva de uma pedrada, ele tem certeza de que ela retribui sua admiração e declara-se a moça. Margaret, ofendida por tais sentimentos, rejeita o cavalheiro, que, jamais deixando de amá-la, gradativamente se afasta da família.

Margaret salvando o Sr. Thornton

Muitos acontecimentos sucedem esse evento: Margaret se aproxima de uma humilde família operária, ajudando-a como pode; seu irmão, Fred Hale, exilado para a Espanha por uma revolta da Marinha, volta para ver a mãe em seu leito de morte; a Sra. Hale morre; Thornton avista Margaret abraçando Fred e é tomado pelo ciúme; a melhor amiga de Margaret fica terrivelmente doente… E durante todas essas ocasiões, Thornton nunca deixa de amar Margaret e esta, após alguns episódios que valem a pena ser lidos, começa a nutrir certa afeição por John. Mas tudo está contra os dois agora: o Sr. Hale morre, a empresa de Thornton fale, seu padrinho também é levado pela Morte e Margaret continua sendo cortejada pelo irmão do marido de sua prima (relação confusa, não?), um advogado que ela conhece há muito tempo e que gosta muito dela.

Poderia o preconceito de Margareth com o norte industrial acabar em favor do Sr. Thornton? Conseguiria este reerguer sua empresa? Será possível que o amor dos dois possa um dia vingar? É uma bela história ambientada no eterno embate entre o romance e a realidade, escrita com muita delicadeza, principalmente no que concerne a cenas sem qualquer importância, cenas cotidianas, que são descritas com particular suavidade e graça.

Aconselho a qualquer tipo de leitor, principalmente ao público feminino ou mais emotivo, já que, diferentemente de “Orgulho e Preconceito”, o livro “Norte e Sul”, é escrito em uma linguagem mais suave e romântica, que pode não agradar a leitores mais dinâmicos. Porém, se você não está acostumado a livros muito descritivos, que se prendem em todos os pormenores, opte por somente assistir à série de 2004, com Richard Armitage e Daniela Denby-Ashe, da BBC. A série é altamente fiel à obra, e, por ser unicamente visual, não se detém em comentar e narrar os detalhes, obviamente.

A maravilhosa série baseada no livro

Ah, a obra costumava ser extremamente difícil de se encontrar, existindo raras edições “pocket” perdidas nas estantes e para downloads grátis na internet (é domínio público). Neste ano, porém, encontrei uma versão bilíngue (português-inglês) disponível em inúmeras livrarias, ou seja, nenhum motivo para você não ler!

A única versão do livro que achei em português

Aguardem o próximo post e não esqueçam de curtir a página do biblionphilia no Facebook!

Sua etc.,

Ms. Reads

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Love is in the air… Parte II

Olá, leitores queridos!

Bom, como prometi, hoje teremos o segundo post da série “Romances”.

2. Jane Eyre

Que tal, desta vez, ler um romance obscuro, cujas personagens estão envolvidas em mistérios passados…? Jane Eyre é um romance gótico, de 1847, escrito pela mais velha das irmãs Brontë, Charlotte.

Uma das edições de Jane Eyre

Órfã de pai e mãe, Jane é criada pela tia que a despreza, com os primos que odeia. Aos oito anos, é levada a escola Lowood, lugar sombrio e frio, onde cresce sem contato com o mundo. Sem atrativos físicos (leia: ela não era bonita), Jane se torna uma mulher razoavelmente inteligente, devota de seu próprio Deus, seguidora fiel do decoro. Com 18, consegue um emprego como governanta na lúgubre Thornfield, residência do ainda mais sombrio Sr. Rochester. Leciona a protegida dele, Adele, uma menina francesa que dizem ser sua filha. À noite, Jane tem certeza de que ouve gritos, sempre atribuídos pelos empregados da casa à costureira louca, Grace Poole. Enquanto isso, o Sr. Rochester, com aquele seu passado enigmático e com seu jeito bruto, parece se afeiçoar a companhia de Jane, que começa a amá-lo profundamente.

Emblemática cena em que Jane assusta o cavalo do Sr. Rochester

Convidados do Sr. Rochester chegam a Thornfield e ele mostra-se inclinado a casar com a bela e esnobe Srta. Ingram, para a tristeza de nossa heroína. Quando os convidados deixam a propriedade, Edward Rochester avisa a Jane que vai se casar, embora vá sentir muita falta da governanta. Segue-se, então, um diálogo de completa indignação de Jane, que vê no comportamento do Sr. Rochester um senso de sua própria inferioridade. Edward diz-lhe, então, que ele ama somente a ela e a pede em casamento. Ela aceita, muito feliz. Fatos obscuros, no entanto, revelados no fatídico dia da cerimônia, terminam com aquele matrimônio… Jane foge, desesperada e vaga pelo interior da Inglaterra. O que foi revelado que pode causar tanto espanto? Teria alguma relação com os gritos que ela ouve na calada da noite, com um incêndio no quarto do Sr. Rochester ou com a misteriosa destruição do véu na véspera do casamento?

Após sua fuga, Jane é acolhida pelo belo pároco St. John Rivers e suas irmãs, e ele lhe proporciona uma ótima surpresa. Seria o Sr. Rochester esquecido em razão do bonito St. John? A gratidão pelos serviços prestados por St. John superaria o amor por Edward? Que foi essa surpresa, que permitiu a Jane viver melhor? Recheado de mistérios e envolto em enigmas e medo, essa obra é um clássico da literatura inglesa, com todos os tipos de adaptações para TV e cinema. Aconselho a leitura a todos, é um livro ótimo, muito bem escrito e com narração arrebatadora. Mas advirto: não se aventure se você não suporta livros grandes, que se detêm demais nos pensamentos das personagens, porque é uma obra densa e descritiva.

Então, preparados para outro? Não percam o próximo!

Sua etc.,

Ms Reads

P.S.: Acabei de checar, “Jane Eyre” está disponível gratuitamente no site do Projeto Gutemberg, que abriga um dos maiores acervos virtuais de domínio público.

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Love is in the air… (Clichê, não?)

Olá, queridos leitores!

Mais uma vez, devo me desculpar pela inconstância com que escrevo. Já que, porém, não adianta chorar as páginas rasgadas, vamos seguir como se nada houvesse acontecido (ou como se houvesse acontecido algum post).

Muito bem, os próximos posts serão dedicado aos romances, dos folhetins mais melosos às histórias de amor mais heroicas e épicas. Não posso, nem ousaria dizer que sou uma ávida leitora desse gênero, até porque me iniciei nele há pouco tempo, mas desde que comecei a me aventurar por esses mares, confesso que me apaixonei por vários livros… Romances são altamente contagiosos, não acham? Bom, nesse post, vou citar aquele de que mais gosto, que considero um ótimo início para se gostar de narrativas românticas.

1. Orgulho e Preconceito

É uma verdade universalmente aceita que mencionar esse título sob qualquer circunstância já leva qualquer leitor a uma esfera completamente diferente. À época dos bailes, do forte senso de decoro, da distinção por classe social… Enfim, a todos os elementos que auxiliam na composição de um romance digno de ser lido. Essa obra foi escrita em 1797 e publicada em 1813, pela nossa querida Jane Austen (lembram-se dela do post Jane Austen?), e é, até hoje, um dos livros mais lidos e difundidos pelo mundo.

Uma das inúmeras edições da obra

O enredo do livro é absolutamente cativante, mesmo resumido como está: Elizabeth Bennet é uma jovem moça com rígidas noções sobre o certo e o errado e de origem simples, que se vê presa em uma sociedade que não pode lhe proporcionar qualquer prazer, onde reina a impropriedade e a indecência. Chegam, então, ao condado onde mora, dois cavalheiros solteiros de boa fortuna e berço: Bingley e Darcy. O primeiro imediatamente se apaixona por Jane, irmã de Lizzie, que retribui o sentimento. O último olha com superioridade toda a sociedade local. Nossa heroína detesta o homem desde o início. Chega, também, ao local, um regimento de militares, no qual se encontra o Sr. Wickham, charmoso e amável, que, logo se percebe, compartilha de algum passado com o orgulhoso Sr. Darcy. Presunçosamente, Darcy dirige sua paixão a Elizabeth, que recusa com desdém sua proposta de casamento. Amargurado e incrédulo, ele lhe escreve uma carta e várias verdades são reveladas. Quando se encontram novamente, na propriedade de Darcy, Permberley, ele age de forma mais humana e afável, conquistando a boa opinião de Lizzie. Vários percalços, porém, serão colocados no caminho dos dois. Será que uma fuga, um casamento imprudente, e a censura da sociedade conseguirão pôr fim ao sentimento, agora mútuo, dos dois? Seriam os defeitos dos dois obstáculos a serem transpostos? Valeria a pena lutar contra as diferenças sociais por amor? Todas essas e outras questões são colocadas para que o leitor reflita sobre um mundo que despreza sentimentos, denunciando os valores imorais que, até hoje, envenenam a nossa sociedade. E é por isso que essa obra continua a ser redescoberta por novos leitores, lida e relida todos os dias. Porque, mesmo tendo se passado 200 anos, ela continua atual, a mente humana continua a funcionar da mesma forma, os mesmos “defeitos de caráter” continuam corrompendo nossa sociedade, além de o Sr Darcy manter-se como um partido e tanto… (*Suspiro* Todas amamos o Sr. Darcy)

As personagens principais, Elizabeth Bennet e o Sr. Darcy

Recomendo a qualquer um que goste de ler, não importa idade, sexo ou gosto. O estilo literário é incrível e a humanidade nas palavras da autora é emocionante. Todas as outras obras de Jane são dignas de atenção, aconselho ler todas! (Emma, Persuasão, A Abadia de Northanger, Razão & Sensibilidade e Mansfield Park).

Qual será o romance depois desse? Será que iremos gostar? Tudo isso e mais no próximo post! Não percam…

Sua etc,

Ms Reads

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Medieval Times

Olá, queridos leitores!
Primeiramente, gostaria de pedir mil desculpas pela demora lastimável… Quase 3 meses! Nem me arriscarei em perdões muito demorados, pois estes seriam apenas falsas escusas. Muito bem, agora não há nada a fazer, vida que segue.

Passado esse estágio, sugiro que comecemos com o livro de hoje. Ainda longe de ser considerada um clássico, a obra de hoje é extremamente interessante. Apresento a vocês, do escritor americano Noah Gordon, “O Físico”.

Sinopse: O livro conta a história de Rob J Cole, um garoto que, após perder os pais, torna-se aprendiz de “barbeiro”, como eram denominados os médicos, em plena Idade Média na Inglaterra. Com Barber, seu mestre de “barbeiro-cirurgião”, o menino, inicialmente com 9 anos, percorrerá toda a Grã-Bretanha adquirindo todos os conhecimentos medicinais europeus à época. (Note que digo europeu, pois no Oriente, como veremos mais adiante, a medicina era muito mais avançada). De toda forma, Barber cria o garoto como um filho, em meio ao ambiente insalubre que configurava a Europa medieval. Nesse período de sua vida, Rob vive suas primeiras experiências com mulheres, com bebida e com as tentativas de curar todos aqueles que faziam fila no biombo que ele e Barber montavam nas cidades pelas quais passavam. Rob, porém, não é um mero aprendiz, pois o garoto nasceu com um “dom quase místico de curar”. Esse dom muitas vezes assusta o menino, que tem a capacidade extraordinária de reconhecer a morte iminente, ou seja, ele simplesmente sente quando o “Cavaleiro Negro” levará as pessoas da vida terrena. E assim o garoto vive até a juventude.

Imagem de um barbeiro-cirurgião durante a Idade Média

Com a morte de Barber, o garoto, sempre procurando saber e conhecer mais, começa sua longa jornada em busca das melhores escolas de medicina do mundo na época, que encontravam-se na Pérsia. Essa nação, no entanto, não via com bons olhos os cristãos e a isso segue-se uma das mais comoventes cenas do livro, quando Rob, em sua última visita a um templo cristão, promete a Cristo que não O abandonará ao adotar uma vida judaica. Assim, disfarçado pela religião, Rob consegue entrar na conceituadíssima escola de medicina Maristan.

Sendo sempre um aluno muito aplicado, Rob se destaca aos olhos de Ibn Sina (ou Avicena) o real e mais renomado médico medieval e, por sua franqueza, cai nas graças do Xá (o imperador). Ele cresce na profissão, faz inúmeros amigos da escola e chega a ser médico de guerra durante uma das empreitadas do Xá para conquistar outras áreas. Também enfrenta pacientes com a famosa Peste Negra e se questiona diversas vezes ao tratar de pacientes com a “dor de lado”, a qual, hoje, entendemos como apendicite. Além disso, casa-se com uma cristã escocesa, intensamente ruiva (o que desperta a curiosidade dos árabes que nunca haviam visto essa cor de cabelo). Na parte final, Rob volta para a Escócia, terra natal de sua mulher, onde perpetua sua linhagem e continua a exercer a nobre profissão de médico.

Ibn Sina, o grande médico medieval, personagem dessa história cativante

Minha opinião: Apesar de ser um pouco escatológico, retratando com minúcias as podridões da era medieval, o livro é de fato muito interessante e dificilmente conseguimos largá-lo sem terminar. Através dele podemos entender todo o desenvolvimento de uma das ciências de maior importância para o ser humano, além de apresentar um romance muito atrativo. De uma maneira geral, a obra é uma bela demontração da inquietude humana que sempre busca conhecer mais, jamais saciando-se com o que já se sabe.

Considero uma história muito agradável e recomendo a todos que gostem de romances históricos (como eu!)

Sua etc.,

Ms Reads

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Mortos de Fama

Olá, queridos leitores!
Realmente peço perdão pelo tempo em que estive fora. Mas esse tempo me deu oportunidades de planejar com cautela minhas próximas indicações. Agora, para nos desviarmos dos grandes clássicos e best-sellers, falaremos de uma coleção de livros maravilhosa destinada ao público infantil, que, porém, pode ser fantasticamente aproveitada por jovens mais velhos e adultos: a coleção de biografias “Mortos de Fama” (“Dead Famous” – título original).

Títulos da série disponíveis no Brasil

Essa série de livros seleciona algumas das mais relevantes personalidades da Humanidade, como Shakespeare, Cleópatra e Einstein, e transforma suas vidas em uma hilariante história, através de diários hipotéticos, histórias em quadrinhos, cômicos jornais que “poderiam” ter sido publicados na época, entre outros. A criatividade dos autores nos permite conhecer melhor personagens marcantes de todas as eras com muita, muita graça.
No Brasil, até agora, os seguintes títulos já estão à venda:
  • Alexandre, o Grande e sua sede de fama
  • Cleopatra e sua víbora
  • Espártaco e seus gloriosos gladiadores
  • Joana D’Arc e suas batalhas
  • Leonardo Da Vinci e seu super-cérebro
  • William Shakespeare e seus atos dramáticos
  • Isaac Newton e sua maçã
  • Albert Einstein e seu universo inflável
  • Al Capone e sua gangue
  • Elvis e sua pélvis
  • Cientistas e seus experimentos de arromba (que inclui Aristóteles, Galileu, Pasteur, Faraday, Marie Curie, etc)

Deu para perceber que a coleção tem como modelo caracterizar a personagem por meio de um aspecto icônico de sua vida. E isso se torna extremamente engraçado no contexto apresentado pelos autores, uma vez que essa leitura leve nos faz entender a época, o comportamento dos indivíduos e o que os levou a ser mundialmente conhecidos. O texto é de tal forma cativante que se torna quase impossível não se afeiçoar à personalidade histórica durante a leitura da narrativa. Através destes livros, passamos a compreender causas que levaram a determinadas ações das personalidades, suas consequências, situações que viveram, medos e aflições, além do brilho de suas mentes geniais.

Pode ser que você não esteja entendendo o que quero dizer. Afinal, como pode a biografia de um grande cientista ser divertida? Ou a de um escritor e um mafioso? Bom, o que leva essa série a alcançar o sucesso imediato entre crianças, adolescentes e adultos é justamente a ingenuidade e graça de certas explicações, que, de forma simples, transmitem ao leitor quase o mesmo conhecimento de uma ilustre e especializada biografia. Esteja certo de que não há como evitar rir, então eu não aconselharia tentar reprimir as gargalhadas, pois pode ter certeza de que, involuntariamente ou não, elas saltarão de sua boca, quando você menos perceber ou esperar, ainda que você venha a ser aquele ser humano crescido e maduro que se regozija de sua seriedade. O riso escapa. Juro.
Se você não sabe por onde começar. eu iniciaria com Shakespeare, que é, na minha humilde opinião, o melhor deles, embora Alexandre, Espártaco (que os autores nem tem certeza se realmente existiu), Einstein, Newton e Da Vinci sejam páreo duro.
Apenas para terminar, gostaria que vocês dessem uma olhadela no resumo de Hamlet presente na obra “William Shakespeare e seus atos dramáticos”, Clive Goddard. Aviso: se você não rir, não culpe o livro; não selecionei a tirada mais engraçada (senão haveria uma certa decepção nas outras, não acha?). De qualquer forma, acho difícil não sentir uma pontadinha sequer de senso de humor. Mesmo.

Hamlet de acordo com Mortos de Fama

Agora corra para uma livraria e aproveite, pois poucas vezes encontramos uma fusão de graça e cultura de forma tão criativa e única.
Sua etc,
Ms Reads.
P.S.: Eu não possuo os direitos autorais destes livros e não estou, por meio deste, fazendo qualquer tipo de propaganda. O blog não tem
fins lucrativos ou comerciais.
P.P.S: Perdão se não conseguirem ler os quadrinhos, a foto está um pouco torta.
P.P.P.S.: Sabia que “P.S.” significa post scriptum, isto é, escrito depois ou após o texto em latim?

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Entre Londres e Paris

Olá, caros leitores!

Desculpem-me mesmo pela demora! (Infelizmente, dessa vez não foi somente lendo…). Bom, tive conflitos internos a semana inteira sobre qual livro deveria ser o próximo e cheguei a uma conclusão: “Um Conto de Duas Cidades”, Charles Dickens. O livro é um clássico, o mais vendido desse autor maravilhoso, porém, nós brasileiros temos a mania de rejeitar Dickens e limitá-lo a “Um Conto de Natal”, aquela historinha que resultou na criação do Tio Patinhas. (Não é uma somente uma “historinha”, não me faça ir até aí fazer com que você procure no Google que ela revolucionou as tradições natalinas!!)

De qualquer forma, vim quebrar um Tabu: por favor, LEIAM Dickens! Ele é simplesmente um dos melhores escritores de todos os tempos! Seu texto é magnífico…!! Bom, acho importante destacar como conheci esse homem que mudou minha vida como leitora para sempre, pois até o ano passado fazia parte do grupo que ainda não havia lido nada de Dickens. Ah, eu sabia quem ele era (já tinha ouvido falar em suas obras e talvez soubesse citá-las), mas conhecer mesmo, eu não conhecia. Então, tendo lido uma biografia do autor, achei as sinopses de suas obras muito interessantes, principalmente a do livro fabuloso sobre o qual nós vamos falar hoje. Comprei o livro, o que é, de fato, uma bênção, pois pouquíssimas livrarias vendem qualquer coisa de Charles hoje… (Estou divergindo), demos logo início, já nos prolongamos demais!

Por ora não colocarei a sinopse aqui, apenas falarei por alto da história, porque não quero contar o final tão cedo, é surpreedente e vale a surpresa! Tudo tem início com o melhor parágrafo inicial já escrito na história dos parágrafos iniciais:

“Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos. Foi a idade da sabedoria, foi a idade da tolice. Foi a época da fé, foi a época da incredulidade. Foi a estação da luz, foi a estação das trevas. Foi a primavera da esperança, foi o inverno do desespero. Tínhamos tudo diante de nós, não tínhamos nada diante de nós. Íamos todos direto para os Céus, íamos todos direto para o outro caminho – em suma, o período era tão parecido com o presente, que algumas das mais inquietas autoridades insistiam em recebê-lo, para o bem ou para o mal, apenas no grau superlativo da comparação.”

Esse tal período era a época antecedente ao estopim da Revolução Francesa. Parece interessante, não?

A história possui inúmeras tramas e subtramas, além de algumas partes permanecerem no escuro até quase o final do livro. A trama mais importante é a de Lucy Manette, que reencontra seu pai, após anos sem vê-lo, e acaba conhecendo dois homens de aparência semelhante, o displicente e brilhante advogado, Sidney Carton e o trabalhador e nobre professor (tutor), Charles Darnay. Os dois são muito parecidos fisicamente, porém completamente antagônicos em hábitos e ideias. Ambos se apaixonam por ela… Não é lindo?

Temos também outros enredos menos relevantes, como a história da Srta. Pross, a rotina do Sr. Lorry, os negócios de Jerry Cruncher… Sem contar com os super significativos enredos da vida do Sr. e da Sra. Defarge e do passado obscuro do Dr. Manette.

Por último, há uma personagem de vital significância: a Guilhotina. Sim, aquele objeto inanimado que alimentou o Terror por tanto tempo! Em “O Conto de Duas Cidades”, Dickens atribui vida a esses instrumentos, não de maneira literal, mas a ameaça de sua sombra paira sobre as personagens todo o tempo, tornando-se um aspecto de medo, respeito e devoção durante a narrativa.

A Guilhotina, cuja madeira Dickens descreve ter sido marcada pelo Lenhador, o Destino, para a Revolução.

Em suma, é uma obra emocionante e extraordinária, com enredos extremamente intrincados e um ritmo de tirar o fôlego, que nos prende até o finalzinho. Final esse, aliás, que possui uma das mais belas frases de desfecho já escritas, sendo inferior apenas a de Harry Potter e as Relíquias da Morte: “Tudo estava bem.” (Sei que essa pode não significar muita coisa, mas lendo é sublime.)

Uma característica muito ressaltada por críticos literários sobre a obra é que, mesmo estando situada em uma época de instabilidade e repressão políticas, a história não se volta jamais nessa direção, preferindo adquirir um caráter mais social, que explicita, através de fantásticas descrições, as condições de diversos grupos e camadas da época. (sem, em nenhum momento sequer, citar Robespierre ou Luís XVI).

Agora que vocês já estão familiarizados com a obra, espero que corram para arrebatar o seu próprio exemplar do livro. E o melhor de tudo é que, sendo domínio público, você pode gratuitamente baixar a história para o seu computador ou celular, ou mesmo obter o audiolivro da narrativa. Então, o que estão esperando?

Sua etc,

Ms Reads

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