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Como Gostais de Aniversários…

Olá, queridos leitores!

Como vão? Espero que bem. Como todos sabem (principalmente os cariocas, hehe), hoje é dia 23 de Abril, Dia de São Jorge. Mas esse não é um fato muito literário sobre o dia, de forma a não ter grande relevância no contexto do blog. (Embora devamos dizer: “Salve, Jorge!). A parte boa é que o dia de hoje tem importância astronômica nesse nosso mundo literário…

Muito provavelmente, no dia de hoje, nasceu um dos maiores gênios da literatura mundial, grande poeta e dramaturgo: William Shakespeare. Digo “provavelmente” porque é “provavelmente” mesmo; não se sabe ao certo sua data de aniversário, somente que foi batizado dia 26 de abril. O mais interessante, porém, é que William Shakespeare morreu no dia 23 de Abril, o mesmo dia em que supostamente teria nascido! (Desnecessário acrescentar que isso contribui significativamente para o mistério de sua existência, isto é, se William sequer existiu).

Retrato de Chandos - imagem de Shakespeare, cujas autoria e autenticidade não são reconhecidas

Vamos, então, aproveitar essa data tão especial para uma nova resenha…

1599 – Um ano na vida de William Shakespeare

Autor: James Shapiro

O livro foca, obviamente, no ano de 1599, um dos mais criativos e frutuosos da vida desse autor, tendo sido nesse período que escreveu Henrique V, Júlio César, Como Gostais e sua obra-prima, Hamlet. O livro, porém, não se contenta em ser apenas uma biografia do ano do autor, não se limita à sua vida, posto que reproduz minuciosamente todo o contexto histórico que o inspirou a escrever inúmeras de suas peças. A obra nos proporciona um amplo retrato da sociedade elisabetana, de seus conflitos políticos e econômicos e nos ensina a entender o que Shakespeare escrevia, relacionando o conteúdo de suas composições à realidade da época.

O livro é absolutamente estupendo! Muitas outras biografias de Shakespeare, ao tentar englobar toda a vida do autor, se perdem e não conseguem compreender o brilho e a genialidade de Will, presentes em cada um de seus trabalhos. Mas, concentrando em um único período, conseguimos ter ideia da dimensão da importância de William Shakespeare, o maior autor da literatura inglesa.

Uma prova de que o livro é maravilhoso é que eu não gostava de Shakespeare antes de lê-lo. Antes de ler essa obra, achava William um autor muito superestimado, afinal, como alguém que escreve uma história sobre dois tolos amantes (“Romeu e Julieta”) merece ser considerado um dos maiores autores da literatura mundial? Contudo, essa é justamente a parte das obras de Shakespeare que não importa – a história. O dramaturgo se apropriou de inúmeras tramas nascidas do íntimo do imaginário e do ideário elisabetanos e as recriou. Essa é a grande jogada. Utilizando-se de histórias conhecidas e populares ou mesmo de narrativas no ostracismo, o homem atualizou enredos ao período em que estava, criticando realidades, fatos, eventos e decretos daquela época turbulenta. Ao decifrarmos suas obras, descobrimos um verdadeiro tesouro historiológico, uma vez que nenhum de seus cenários, personagens e tramas está ali por acaso, de forma arbitrária. Todos os elementos de suas obras têm um desejo e uma necessidade intrínsecos de exprimirem toda uma realidade e uma era, todo o comportamento de uma sociedade inteira. E Shakespeare não faz isso de modo claro e objetivo, mas submete os significados às entrelinhas, deixando-os em nosso subconsciente — basta-nos compreender.

Capa do livro 1599, James Shapiro

Aí entra a obra que estamos resenhando. Por não vivermos naquela época, torna-se mais difícil entendermos essas figuras de que o dramaturgo se utiliza, então James Shapiro nos ajuda a compreender o contexto e nos direciona ao real significado das palavras shakespearianas.

Recomendo demais a leitura desse livro, para quem gosta de Shakespeare, para quem não gosta, para quem quer conhecer melhor sua obra ou para quem quer entender mais sobre a época. Espero que gostem e feliz aniversário, William!

Não esqueçam de curtir a página do biblionphilia no Facebook!

Sua etc,

Ms Reads

O aniversariante do dia - parabéns!

P.S.: James Shapiro, o autor do livro “1599 – Um ano na vida de Shakespeare” estará na edição de 2012 da FLIP – Feira Literária Internacional de Paraty. Ms Reads morrendo de vontade de ir… 😉

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Esboços por Boz

Olá, queridíssimos leitores!

Como vão? Bom, para os que não sabem, estamos às vésperas de um evento que só acontece uma vez na vida: bicentenário do fantástico, maravilhoso, fenomenal, Charles Dickens.

Tinha pensado em iniciar esse post dando-lhes um breve resumo de sua vida, porém, ao começar a escrever, notei que seria impossível sintetizar a vida do homem, afinal, não comprei uma biografia de 400 páginas à toa! Basta que saibamos que ele nasceu a 7 de fevereiro de 1812 em Portsmouth, cidade na costa sul da Inglaterra e tornou-se um dos mais proeminentes escritores ingleses de todos os tempos, cujo legado foi inferior somente ao do dramaturgo William Shakespeare. (Não conseguindo ser totalmente imparcial em minha descrição, devo confessar, talvez até hereticamente, que prefiro Charles, embora não negue ou diminua a importância de Will.)

Charles Dickens, em uma posição muito favorável (ao meu ver, claro).

O que torna Charles uma personagem tão notável na literatura mundial, é o simples fato de que ele, através de suas belíssimas descrições, de sua narrativa peculiar e de seus eternos personagens, tornou-se a voz de uma era. E uma era de transformações. Para termos dimensão das mudanças ocorridas durante o período vitoriano (1837-1901), podemos simplesmente consultar qualquer um dos livros de Dickens (à exceção de “O Conto de Duas Cidades” e “Barnaby Rudge”), pois os enredos que ele cria situam-se justamente no âmago de toda essa nova civilização nascida no século XIX.

As mais salientes e relevantes realidades da época são a recém-formada sociedade industrial, com sua fumaça, poluição e hipocrisia; o trabalho infantil; as grandes dúvidas religiosas, tendo estabelecido-se o Darwinismo e o Agnosticismo científico; uma rápida transformação tecnológica; e mudanças nas ideologias políticas, pois é nesse momento que surge o marxismo, e o feminismo se fortalece, juntamente com a sindicalização e a democracia, etc.

Todos esses aspectos foram descritos por Charlie (perdoem-me a pseudo-intimidade) em seus livros, crônicas e contos. E de uma maneira magistral, pois não somente ele observava, como também ele vivia e tentava se adaptar àquela nova sociedade que poucos compreendiam. Ele satirizou o cientificismo vitoriano em “As Aventuras do Sr Pickwick”, ironizou a burocracia excessiva – um tema ainda bastante atual – em “Little Dorrit”, criticou as condições de trabalho em inúmeros de seus livros, bem como a justiça e a advocacia falhas da época, aspectos que ele via todos os dias quando trabalhava como repórter. Dickens também sofreu com a retenção de seu pai na prisão de devedores, Marshalsea, como Amy Dorrit. Dickens trabalhou, enquanto criança, em uma fábrica de polimento de sapatos, bem como David Copperfield. Resumindo, ele viveu cada um de seus personagens, que eram apenas desdobramentos do seu caráter, da sua história e da sua opinião.

Dickens e seus personagens eternizados por Robert William Buss

Biografias recomendadas:

Muito bem, vou citar algumas biografias de Dickens, em vários formatos, para agradar a todos os gostos de leitor.

  • Charles Dickens – A Life: escrita pela renomadíssima biografista Claire Tomalin, essa obra recém-lançada está me parecendo muito boa até agora. É fácil de ler e é muito explicativa, cheia de detalhes. Englobou muita pesquisa por parte da autora, com certeza. Um ponto negativo, porém, é que não foi traduzida ainda, embora eu acredite que deva ser logo, logo;
  • Charles Dickens : Escrita por Paul Shipton, essa é uma obra para crianças, da editora Penguin. É curtíssima, sem, contudo, ignorar os fatos significativos. Possui belas figuras.
  • O Homem que Inventou o Natal: de Les Standiford, essa obra foca em um aspecto revolucionário da vida de Dickens: ele reinventou as celebrações natalinas, dando um significado de esperança ao espírito natalino em meio à insensível realidade industrial. Estou muitíssimo ansiosa para lê-la.

Ah, a biografia da Wikipédia não é ruim, embora seja bem resumida, obviamente.

Pois bem, para celebrarmos de forma integral o seu aniversário, podemos checar vários sites, como o do Dickens Museum, ou o site especial do bicentenário, o Dickens 2012. O parque temático em sua homenagem em, o Dickens World também é bem interessante e estará especialmente aberto amanhã. Você também pode baixar o aplicativo Dark London para iPhone e iPad, uma graphic novel de histórias tirada do livro “Retratos Londrinos” (“Sketches by Boz” em inglês, daí o título do presente post), narrada por ninguém menos que Mark Strong, o ator que faz o vilão de “Sherlock Holmes”, “Robin Hood”, “A Jovem Rainha Vitória” e “Stardust”. Ele tem uma voz sensacional e o aplicativo é ótimo! Além disso, houve uma reportagem no jornal “O Globo” ontem sobre a exposição do bicentenário em Londres, que vocês podem checar aqui e uma matéria na revista da Tam que vocês podem ler nesse link, na edição cuja capa é o comediante Marcos Mion, p. 26.

Mark Strong gravando a narração de Dark London

Mas, meus leitores queridos, principalmente, não se esqueçam de que um clássico é feito clássico por seus leitores, então faço um apelo: LEIAM DICKENS, POR FAVOR! Deem uma chance ao homem, porque, eu garanto, vocês podem acabar gostando. E espero que vocês possam amá-lo tanto quanto eu.

Sua etc.,

Ms Reads

P.S.: Dedicarei essa semana a Dickens, então aguardem mais novidades sobre Boz…

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Mortos de Fama

Olá, queridos leitores!
Realmente peço perdão pelo tempo em que estive fora. Mas esse tempo me deu oportunidades de planejar com cautela minhas próximas indicações. Agora, para nos desviarmos dos grandes clássicos e best-sellers, falaremos de uma coleção de livros maravilhosa destinada ao público infantil, que, porém, pode ser fantasticamente aproveitada por jovens mais velhos e adultos: a coleção de biografias “Mortos de Fama” (“Dead Famous” – título original).

Títulos da série disponíveis no Brasil

Essa série de livros seleciona algumas das mais relevantes personalidades da Humanidade, como Shakespeare, Cleópatra e Einstein, e transforma suas vidas em uma hilariante história, através de diários hipotéticos, histórias em quadrinhos, cômicos jornais que “poderiam” ter sido publicados na época, entre outros. A criatividade dos autores nos permite conhecer melhor personagens marcantes de todas as eras com muita, muita graça.
No Brasil, até agora, os seguintes títulos já estão à venda:
  • Alexandre, o Grande e sua sede de fama
  • Cleopatra e sua víbora
  • Espártaco e seus gloriosos gladiadores
  • Joana D’Arc e suas batalhas
  • Leonardo Da Vinci e seu super-cérebro
  • William Shakespeare e seus atos dramáticos
  • Isaac Newton e sua maçã
  • Albert Einstein e seu universo inflável
  • Al Capone e sua gangue
  • Elvis e sua pélvis
  • Cientistas e seus experimentos de arromba (que inclui Aristóteles, Galileu, Pasteur, Faraday, Marie Curie, etc)

Deu para perceber que a coleção tem como modelo caracterizar a personagem por meio de um aspecto icônico de sua vida. E isso se torna extremamente engraçado no contexto apresentado pelos autores, uma vez que essa leitura leve nos faz entender a época, o comportamento dos indivíduos e o que os levou a ser mundialmente conhecidos. O texto é de tal forma cativante que se torna quase impossível não se afeiçoar à personalidade histórica durante a leitura da narrativa. Através destes livros, passamos a compreender causas que levaram a determinadas ações das personalidades, suas consequências, situações que viveram, medos e aflições, além do brilho de suas mentes geniais.

Pode ser que você não esteja entendendo o que quero dizer. Afinal, como pode a biografia de um grande cientista ser divertida? Ou a de um escritor e um mafioso? Bom, o que leva essa série a alcançar o sucesso imediato entre crianças, adolescentes e adultos é justamente a ingenuidade e graça de certas explicações, que, de forma simples, transmitem ao leitor quase o mesmo conhecimento de uma ilustre e especializada biografia. Esteja certo de que não há como evitar rir, então eu não aconselharia tentar reprimir as gargalhadas, pois pode ter certeza de que, involuntariamente ou não, elas saltarão de sua boca, quando você menos perceber ou esperar, ainda que você venha a ser aquele ser humano crescido e maduro que se regozija de sua seriedade. O riso escapa. Juro.
Se você não sabe por onde começar. eu iniciaria com Shakespeare, que é, na minha humilde opinião, o melhor deles, embora Alexandre, Espártaco (que os autores nem tem certeza se realmente existiu), Einstein, Newton e Da Vinci sejam páreo duro.
Apenas para terminar, gostaria que vocês dessem uma olhadela no resumo de Hamlet presente na obra “William Shakespeare e seus atos dramáticos”, Clive Goddard. Aviso: se você não rir, não culpe o livro; não selecionei a tirada mais engraçada (senão haveria uma certa decepção nas outras, não acha?). De qualquer forma, acho difícil não sentir uma pontadinha sequer de senso de humor. Mesmo.

Hamlet de acordo com Mortos de Fama

Agora corra para uma livraria e aproveite, pois poucas vezes encontramos uma fusão de graça e cultura de forma tão criativa e única.
Sua etc,
Ms Reads.
P.S.: Eu não possuo os direitos autorais destes livros e não estou, por meio deste, fazendo qualquer tipo de propaganda. O blog não tem
fins lucrativos ou comerciais.
P.P.S: Perdão se não conseguirem ler os quadrinhos, a foto está um pouco torta.
P.P.P.S.: Sabia que “P.S.” significa post scriptum, isto é, escrito depois ou após o texto em latim?

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