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Esboços por Boz

Olá, queridíssimos leitores!

Como vão? Bom, para os que não sabem, estamos às vésperas de um evento que só acontece uma vez na vida: bicentenário do fantástico, maravilhoso, fenomenal, Charles Dickens.

Tinha pensado em iniciar esse post dando-lhes um breve resumo de sua vida, porém, ao começar a escrever, notei que seria impossível sintetizar a vida do homem, afinal, não comprei uma biografia de 400 páginas à toa! Basta que saibamos que ele nasceu a 7 de fevereiro de 1812 em Portsmouth, cidade na costa sul da Inglaterra e tornou-se um dos mais proeminentes escritores ingleses de todos os tempos, cujo legado foi inferior somente ao do dramaturgo William Shakespeare. (Não conseguindo ser totalmente imparcial em minha descrição, devo confessar, talvez até hereticamente, que prefiro Charles, embora não negue ou diminua a importância de Will.)

Charles Dickens, em uma posição muito favorável (ao meu ver, claro).

O que torna Charles uma personagem tão notável na literatura mundial, é o simples fato de que ele, através de suas belíssimas descrições, de sua narrativa peculiar e de seus eternos personagens, tornou-se a voz de uma era. E uma era de transformações. Para termos dimensão das mudanças ocorridas durante o período vitoriano (1837-1901), podemos simplesmente consultar qualquer um dos livros de Dickens (à exceção de “O Conto de Duas Cidades” e “Barnaby Rudge”), pois os enredos que ele cria situam-se justamente no âmago de toda essa nova civilização nascida no século XIX.

As mais salientes e relevantes realidades da época são a recém-formada sociedade industrial, com sua fumaça, poluição e hipocrisia; o trabalho infantil; as grandes dúvidas religiosas, tendo estabelecido-se o Darwinismo e o Agnosticismo científico; uma rápida transformação tecnológica; e mudanças nas ideologias políticas, pois é nesse momento que surge o marxismo, e o feminismo se fortalece, juntamente com a sindicalização e a democracia, etc.

Todos esses aspectos foram descritos por Charlie (perdoem-me a pseudo-intimidade) em seus livros, crônicas e contos. E de uma maneira magistral, pois não somente ele observava, como também ele vivia e tentava se adaptar àquela nova sociedade que poucos compreendiam. Ele satirizou o cientificismo vitoriano em “As Aventuras do Sr Pickwick”, ironizou a burocracia excessiva – um tema ainda bastante atual – em “Little Dorrit”, criticou as condições de trabalho em inúmeros de seus livros, bem como a justiça e a advocacia falhas da época, aspectos que ele via todos os dias quando trabalhava como repórter. Dickens também sofreu com a retenção de seu pai na prisão de devedores, Marshalsea, como Amy Dorrit. Dickens trabalhou, enquanto criança, em uma fábrica de polimento de sapatos, bem como David Copperfield. Resumindo, ele viveu cada um de seus personagens, que eram apenas desdobramentos do seu caráter, da sua história e da sua opinião.

Dickens e seus personagens eternizados por Robert William Buss

Biografias recomendadas:

Muito bem, vou citar algumas biografias de Dickens, em vários formatos, para agradar a todos os gostos de leitor.

  • Charles Dickens – A Life: escrita pela renomadíssima biografista Claire Tomalin, essa obra recém-lançada está me parecendo muito boa até agora. É fácil de ler e é muito explicativa, cheia de detalhes. Englobou muita pesquisa por parte da autora, com certeza. Um ponto negativo, porém, é que não foi traduzida ainda, embora eu acredite que deva ser logo, logo;
  • Charles Dickens : Escrita por Paul Shipton, essa é uma obra para crianças, da editora Penguin. É curtíssima, sem, contudo, ignorar os fatos significativos. Possui belas figuras.
  • O Homem que Inventou o Natal: de Les Standiford, essa obra foca em um aspecto revolucionário da vida de Dickens: ele reinventou as celebrações natalinas, dando um significado de esperança ao espírito natalino em meio à insensível realidade industrial. Estou muitíssimo ansiosa para lê-la.

Ah, a biografia da Wikipédia não é ruim, embora seja bem resumida, obviamente.

Pois bem, para celebrarmos de forma integral o seu aniversário, podemos checar vários sites, como o do Dickens Museum, ou o site especial do bicentenário, o Dickens 2012. O parque temático em sua homenagem em, o Dickens World também é bem interessante e estará especialmente aberto amanhã. Você também pode baixar o aplicativo Dark London para iPhone e iPad, uma graphic novel de histórias tirada do livro “Retratos Londrinos” (“Sketches by Boz” em inglês, daí o título do presente post), narrada por ninguém menos que Mark Strong, o ator que faz o vilão de “Sherlock Holmes”, “Robin Hood”, “A Jovem Rainha Vitória” e “Stardust”. Ele tem uma voz sensacional e o aplicativo é ótimo! Além disso, houve uma reportagem no jornal “O Globo” ontem sobre a exposição do bicentenário em Londres, que vocês podem checar aqui e uma matéria na revista da Tam que vocês podem ler nesse link, na edição cuja capa é o comediante Marcos Mion, p. 26.

Mark Strong gravando a narração de Dark London

Mas, meus leitores queridos, principalmente, não se esqueçam de que um clássico é feito clássico por seus leitores, então faço um apelo: LEIAM DICKENS, POR FAVOR! Deem uma chance ao homem, porque, eu garanto, vocês podem acabar gostando. E espero que vocês possam amá-lo tanto quanto eu.

Sua etc.,

Ms Reads

P.S.: Dedicarei essa semana a Dickens, então aguardem mais novidades sobre Boz…

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Xeque-Mate

Olá, queridos leitores! (se ainda houver algum, hehe)

Como vão passando? Espero que bem.

Bom, finalmente vamos ter mais uma resenha! Ao som sempre infalível de Legião Urbana e Capital Inicial, resolvi escrever sobre uma obra que li ainda ano passado: “O Enigma do Oito”, escrito pela americana Katherine Neville em 1988.

Capa do livro, pela editora Rocco

O título do post é um tanto clichê (mas eu estava sem imaginação, perdoem-me), uma vez que a trama principal da história é justamente a do lendário Xadrez de Montglane, um magnífico serviço completo de xadrez dado pelos mouros a Carlos Magno. (Bom, “lendário” seria o termo usado no livro, porque tal jogo é uma invenção da autora… ;D) O xadrez é um artefato que, por gerações, séculos e até milênios, provocou fascínio nas personalidades mais interessantes em que você puder pensar, e também em anônimos nos quais você não poderia ousar imaginar (obviamente, porque são anônimos). De Catarina, a Grande, a czarina russa, ao francês Cardeal Richelieu, incontáveis famosos procuraram e caçaram o segredo do jogo, que, dizia-se, conferia poderes extraordinários àqueles que o possuíssem. Para sua proteção, Carlos Magno escondeu as peças na pequenina Abadia de Montglane, na França, onde permaneceu até certo momento da nossa história… Falaremos sobre isso daqui a pouco.

Xadrez de St Louis, tão ornamentado quando o de Montglane

Dois enredos acompanham a história do Xadrez, de forma intercalada e inextricável.

O mais antigo remonta ao limiar da Revolução Francesa (deu para notar que eu gosto de romances ambientados nessa época, né?), mostrando-nos a vida de Mireille e sua prima, Valentine, duas freiras da Abadia de Montglane encarregadas de proteger algumas das peças do Xadrez e servir de apoio a outras freiras na mesma situação. Elas foram obrigadas a dispersar-se da Abadia pois as peças estavam na mira do Bispo de Autun, ninguém menos que Maurice Talleyrand, o político francês influente durante todo o período antes, durante e depois da Revolução. As primas, então, abrigam-se com o Tio David, em Paris. (O tio é o verdadeiro Jacques-Louis David, que pintou o próprio Napoleão várias vezes). Durante a estada em Paris, Valentine é morta pelo cruel Marat, (isso mesmo, o inflamado jornalista revolucionário), e Mireille envolve-se com Talleyrand, engravidando. A essa altura, embora ele já esteja intensamente apaixonado pela moça, ela o deixa, atrás de mais informações sobre o Xadrez, empreendendo viagens a Rússia, Inglaterra, Egito…

O outro enredo situa-se na década de 1970, quando a especialista em computadores, Cat Velis, após presenciar inúmeros incidentes no mínimo estranhos no mundo do xadrez profissional, é enviada por sua empresa à Argélia, a fim de trabalhar em projetos relacionados a petróleo. Nem lá, porém, ela estará a salvo de todas as situações suspeitas que viveu em Nova Iorque. O renomadíssimo enxadrista soviético Alexander Solarin, que sempre aparece nas piores horas, parece gostar dela; os agentes do governo argelino agem de forma estranha e sua amiga, a rica jogadora de xadrez Lily, aparece em meio ao deserto para aumentar a confusão. Cat, sem seu consentimento, se vê presa em um jogo de xadrez; em um esquema para encontrar o Serviço de Montglane. Todos parecem estar envolvidos nesse complô e Cat, ocupando uma posição chave no jogo, não sabe exatamente em quem pode confiar.

Bom, até aí, as tramas parecem paralelas e desassociadas, ligadas apenas pelo Xadrez de Montglane. Entretanto, uma está profundamente atrelada a outra de forma muito surpreendente.

Minha opinião: o livro é muito bom, pois seu enredo é altamente envolvente e as personagens são cativantes. É muito difícil não se afeiçoar a Cat, Mireille ou mesmo a Maurice (o que achei chocante, porque jamais pensei que o chamaria pelo primeiro nome ou mesmo que gostaria dele, rsrs). Além disso, pouquíssimas vezes li uma obra tão bem engendrada. A autora conseguiu, magistralmente, encaixar seu enredo a personagens e acontecimentos reais ou factíveis, parecendo que todo o desenrolar dos fatos históricos foi, de alguma forma, provocado pelo Xadrez de Montglane.

Mas, acima de tudo, achei muito interessante e engraçado cruzar com personalidades históricas tão enfáticas e marcantes quanto Napoleão, Robespierre, Marat, Talleyrand, Bach, a Czarina Catarina, Delacroix ou mesmo o ex-ditador líbio, Muamar Kadaffi, que estava no auge de seu poder nos anos 1970 (e em plena Guerra civil quando eu li o livro.)

A famosa pintura de Delacroix,

Tenho apenas uma crítica à obra. Achei o final um tanto rápido, utilizando-se de um Deus ex Machina, ou seja, de uma solução repentina que resolve o problema. Pode ter sido só impressão, mas fiquei pensando que um livro tão bem desenvolvido poderia ter um final mais elaborado.

De qualquer forma, super recomendo a leitura dessa história maravilhosa. É fácil de ler e díficil de largar!

Sua etc,

Ms Reads

P.S.: Não esqueçam de ler algo de Charles Dickens! Seu bicentenário se aproxima…

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Love is in the air… Parte IV

Olá, queridos leitores!

Como está a vida, leitor? Espero que boa com As Festas chegando… 🙂 Muito bem, vamos a outro romance? Esse será o último dessa série por um tempo, já que há outros estilos literários nos esperando!

4. Mar Morto

Vamos agora deixar para trás aquele terreno sólido e decoroso dos romances ingleses escritos por mulheres no século XIX, e passar para um cenário completamente diverso, a Bahia do século XX, a Bahia de Jorge Amado. “Mar Morto”, escrito por Jorge Amado em 1936, é um livro sobre os homens do mar, um romance e uma crítica. Talvez seja até mais uma crítica e uma representação da sociedade que um romance, mas é impossível não se apaixonar pela história de amor dos protagonistas.

Capa de uma das edições do livro

Guma, criado pelo tio, nasceu e cresceu no cais, conhecendo os mares como poucos e aceitando, resignado, o destino de todo homem do mar: a morte por Iemanjá, nas águas traiçoeiras do oceano. Talvez o segundo grande amor de Guma tenha sido a própria Iemanjá, que, como escreveria Jorge Amado, é esposa e mãe de todos os marinheiros. Mas, embora tenha tido amantes, dentre elas a famosa no cais, a determinada e forte Rosa Palmeirão, Guma nunca mais foi o mesmo após ver Lívia. Ao ter contato com seus olhos pela primeira vez, Guma soube que ela haveria de ser dele. Lívia era uma moça da cidade e havia sido criada para um futuro muito melhor que o de esposa de marinheiro, aquela mulher que aguardava todos os dias pelo momento em que ouviria falar da morte do marido. Mas Lívia também amou Guma desde o primeiro momento e, após fugir com ele em uma tempestade para uma ilha “amaldiçoada”, os dois se casaram. Juntos, tiveram um filho e, embora Lívia amasse muito ao marido, vivia envolta no medo de perdê-lo. Eventos de natureza sigilosa, porém, acontecem, podendo colocar a pequena e feliz família em risco…

Saveiro, meio de transporte e sustento de Guma (Barco de dois mastros, que se destina à pesca ou ao transporte de mercadorias.)

É difícil bolar questões, como no final de todos os livros que citei até agora na série Romances, para este livro. Não posso começar a escrever: Que são esses eventos devastadores? Qual a sua consequência para a vida das personagens? Viveria Lívia para sempre engolfada em seus receios? Perceberia Guma que era mais saudável para sua família afastar-se do mar? Poderia o amor dos dois vencer barreiras, etc, etc? Essas interrogações não fazem sentido algum, pois, brilhantemente, Jorge Amado nos faz saber o final do livro já no primeiro capítulo, e, ainda sim, torna-se necessário ler toda a obra para entender o que já sabíamos desde o princípio.

O desfecho do livro é absolutamente lindo, emocionante e inspirador, podendo nos tocar e/ou nos fazer refletir. Recomendo a obra a todo aquele que quiser uma leitura mais original, um clássico que não é bem um “grande” clássico; a todo aquele que desejar ler uma história interessante e magistralmente escrita. Apenas advirto: é um livro pesado, tanto pela temática, que requer maturidade, quanto por sua abordagem e construção, uma vez que a linguagem e a estruturação das frases não são das mais simples.

Espero que gostem!

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Sua etc.,

Ms Reads

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Bruxos, Bruxos e Bruxas! – Resenha

Olá, leitores queridos!

Pensei por muito tempo qual seria o primeiro livro de minha recomendação e, após dias considerando, cheguei a uma conclusão: Harry Potter é a melhor escolha. E acho que devo isso a minha série de livros preferida, porque ela minha ensinou tanto… Sem mais delongas, vamos começar logo com isso!

Autora: J. K. Rowling (Joanne Kathleen)

Editora: Rocco (Brasil) e Bloomsbury (Reino Unido)

País de Origem: Reino Unido

Nº de livros: 7 livros + 3 extras voltados para a caridade

Sinopse: Para os que não são totalmente familiarizados com Harry Potter e seu mundo, façamos uma visita rápida a ele. (Acredito que poucos sejam totalmente leigos em relação à série, mas de qualquer forma…) Harry é um garoto marcado, que até os 11 anos, vivia inocentemente com os tios e o primo que o odeiam. À idade de 11 anos, descobre que é um bruxo e que frequentará a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, onde conhecerá seus melhores amigos, Rony e Hermione, fará seus primeiros inimigos, como Draco Malfoy e aprenderá poções, feitiços, encantamentos, ervas e fungos mágicos. Mas Harry não é um bruxo comum. Com apenas um ano, seus pais foram mortos pelo maior bruxo das trevas de todos os tempos: Lord Voldemort (e um dos melhores vilões de todos os tempos), um assassino frio e cruel, cujo maior objetivo de vida é alcançar a imortalidade. Contudo, Harry sobrevive ao ataque, arruinando Voldemort, que, enfraquecido, consegue voltar à sua forma humana dentro de alguns anos. Sob os olhos de seu diretor e mestre, Alvo Dumbledore, um dos maiores magos do mundo bruxo, e com a fiel companhia de Rony e Hermione, o destino de Harry é traçado a fim de aniquilar a ameaça que Voldemort e seus seguidores representam para o mundo bruxo.

Livros, queridos livros!!

Minha opinião…: Simplesmente amo Harry Potter, desde que tinha 7 anos de idade, e sempre tenho ao menos um volume à minha cabeceira para reler… de novo. Para mim, Harry Potter é uma leitura quase que indispensável para todos, crianças, adolescentes e adultos, pois está no hall onde apenas os clássicos conseguem entrar, como já diria o mestre Stephen King sobre a série. Além de representar um marco na literatura infanto-juvenil, Harry Potter instiga nossa imaginação através de intrincados enredos, passagens engraçadas, certa verossimilhança com o mundo jovem e um mundo fantástico o qual todos nós gostaríamos de fazer parte.

Para o leitor superficial: *Caracterizo o leitor superficial como aquele que lê apenas pela história* Para esta modalidade de leitura, o livro é muito bom, pois proporciona enredos suficientes para prender nossa atenção, cenas de perder o fôlego e uma história cativante, que não nos permite largar o livro até que cheguemos ao final.

Para o leitor mais profundo (ou emo, não sei): *Caracterizo o leitor mais profundo como aquele cuja intenção é também capturar as morais, valores e a essência da narrativa* Para estes, o livro ainda se apresenta como uma ótima escolha, pois transmite valores inestimáveis a formação de caráter. Amor, honra e sacrifício são princípios valorizados a todo o momento na história, além da nossa impossibilidade de agir sozinhos, ou seja, a necessidade que temos dos amigos ao nosso lado, amizade. Outro tema constantemente retratado é a nossa liberdade de escolha e, por conseguinte, o poder que temos de controlar os nossos próprios destinos.

O estilo narrativo de Joanne é muito interessante e extremamente gostoso de ler, pois trabalha com descrições na medida certa e a onisciência do narrador (ele participa dos pensamentos das personagens) nos permite entender os conflitos nas mentes das personagens, principalmente Harry e Voldemort, de maneira excitante.

Ponto negativo: já acabou 😦

A magia só terá fim quando você realmente esquecê-la...

Então, preparados para 3283 páginas? (versão brasileira)

Carinhosamente,

Ms. Reads

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