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Como Gostais de Aniversários…

Olá, queridos leitores!

Como vão? Espero que bem. Como todos sabem (principalmente os cariocas, hehe), hoje é dia 23 de Abril, Dia de São Jorge. Mas esse não é um fato muito literário sobre o dia, de forma a não ter grande relevância no contexto do blog. (Embora devamos dizer: “Salve, Jorge!). A parte boa é que o dia de hoje tem importância astronômica nesse nosso mundo literário…

Muito provavelmente, no dia de hoje, nasceu um dos maiores gênios da literatura mundial, grande poeta e dramaturgo: William Shakespeare. Digo “provavelmente” porque é “provavelmente” mesmo; não se sabe ao certo sua data de aniversário, somente que foi batizado dia 26 de abril. O mais interessante, porém, é que William Shakespeare morreu no dia 23 de Abril, o mesmo dia em que supostamente teria nascido! (Desnecessário acrescentar que isso contribui significativamente para o mistério de sua existência, isto é, se William sequer existiu).

Retrato de Chandos - imagem de Shakespeare, cujas autoria e autenticidade não são reconhecidas

Vamos, então, aproveitar essa data tão especial para uma nova resenha…

1599 – Um ano na vida de William Shakespeare

Autor: James Shapiro

O livro foca, obviamente, no ano de 1599, um dos mais criativos e frutuosos da vida desse autor, tendo sido nesse período que escreveu Henrique V, Júlio César, Como Gostais e sua obra-prima, Hamlet. O livro, porém, não se contenta em ser apenas uma biografia do ano do autor, não se limita à sua vida, posto que reproduz minuciosamente todo o contexto histórico que o inspirou a escrever inúmeras de suas peças. A obra nos proporciona um amplo retrato da sociedade elisabetana, de seus conflitos políticos e econômicos e nos ensina a entender o que Shakespeare escrevia, relacionando o conteúdo de suas composições à realidade da época.

O livro é absolutamente estupendo! Muitas outras biografias de Shakespeare, ao tentar englobar toda a vida do autor, se perdem e não conseguem compreender o brilho e a genialidade de Will, presentes em cada um de seus trabalhos. Mas, concentrando em um único período, conseguimos ter ideia da dimensão da importância de William Shakespeare, o maior autor da literatura inglesa.

Uma prova de que o livro é maravilhoso é que eu não gostava de Shakespeare antes de lê-lo. Antes de ler essa obra, achava William um autor muito superestimado, afinal, como alguém que escreve uma história sobre dois tolos amantes (“Romeu e Julieta”) merece ser considerado um dos maiores autores da literatura mundial? Contudo, essa é justamente a parte das obras de Shakespeare que não importa – a história. O dramaturgo se apropriou de inúmeras tramas nascidas do íntimo do imaginário e do ideário elisabetanos e as recriou. Essa é a grande jogada. Utilizando-se de histórias conhecidas e populares ou mesmo de narrativas no ostracismo, o homem atualizou enredos ao período em que estava, criticando realidades, fatos, eventos e decretos daquela época turbulenta. Ao decifrarmos suas obras, descobrimos um verdadeiro tesouro historiológico, uma vez que nenhum de seus cenários, personagens e tramas está ali por acaso, de forma arbitrária. Todos os elementos de suas obras têm um desejo e uma necessidade intrínsecos de exprimirem toda uma realidade e uma era, todo o comportamento de uma sociedade inteira. E Shakespeare não faz isso de modo claro e objetivo, mas submete os significados às entrelinhas, deixando-os em nosso subconsciente — basta-nos compreender.

Capa do livro 1599, James Shapiro

Aí entra a obra que estamos resenhando. Por não vivermos naquela época, torna-se mais difícil entendermos essas figuras de que o dramaturgo se utiliza, então James Shapiro nos ajuda a compreender o contexto e nos direciona ao real significado das palavras shakespearianas.

Recomendo demais a leitura desse livro, para quem gosta de Shakespeare, para quem não gosta, para quem quer conhecer melhor sua obra ou para quem quer entender mais sobre a época. Espero que gostem e feliz aniversário, William!

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Sua etc,

Ms Reads

O aniversariante do dia - parabéns!

P.S.: James Shapiro, o autor do livro “1599 – Um ano na vida de Shakespeare” estará na edição de 2012 da FLIP – Feira Literária Internacional de Paraty. Ms Reads morrendo de vontade de ir… 😉

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3 Comentários

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Xeque-Mate

Olá, queridos leitores! (se ainda houver algum, hehe)

Como vão passando? Espero que bem.

Bom, finalmente vamos ter mais uma resenha! Ao som sempre infalível de Legião Urbana e Capital Inicial, resolvi escrever sobre uma obra que li ainda ano passado: “O Enigma do Oito”, escrito pela americana Katherine Neville em 1988.

Capa do livro, pela editora Rocco

O título do post é um tanto clichê (mas eu estava sem imaginação, perdoem-me), uma vez que a trama principal da história é justamente a do lendário Xadrez de Montglane, um magnífico serviço completo de xadrez dado pelos mouros a Carlos Magno. (Bom, “lendário” seria o termo usado no livro, porque tal jogo é uma invenção da autora… ;D) O xadrez é um artefato que, por gerações, séculos e até milênios, provocou fascínio nas personalidades mais interessantes em que você puder pensar, e também em anônimos nos quais você não poderia ousar imaginar (obviamente, porque são anônimos). De Catarina, a Grande, a czarina russa, ao francês Cardeal Richelieu, incontáveis famosos procuraram e caçaram o segredo do jogo, que, dizia-se, conferia poderes extraordinários àqueles que o possuíssem. Para sua proteção, Carlos Magno escondeu as peças na pequenina Abadia de Montglane, na França, onde permaneceu até certo momento da nossa história… Falaremos sobre isso daqui a pouco.

Xadrez de St Louis, tão ornamentado quando o de Montglane

Dois enredos acompanham a história do Xadrez, de forma intercalada e inextricável.

O mais antigo remonta ao limiar da Revolução Francesa (deu para notar que eu gosto de romances ambientados nessa época, né?), mostrando-nos a vida de Mireille e sua prima, Valentine, duas freiras da Abadia de Montglane encarregadas de proteger algumas das peças do Xadrez e servir de apoio a outras freiras na mesma situação. Elas foram obrigadas a dispersar-se da Abadia pois as peças estavam na mira do Bispo de Autun, ninguém menos que Maurice Talleyrand, o político francês influente durante todo o período antes, durante e depois da Revolução. As primas, então, abrigam-se com o Tio David, em Paris. (O tio é o verdadeiro Jacques-Louis David, que pintou o próprio Napoleão várias vezes). Durante a estada em Paris, Valentine é morta pelo cruel Marat, (isso mesmo, o inflamado jornalista revolucionário), e Mireille envolve-se com Talleyrand, engravidando. A essa altura, embora ele já esteja intensamente apaixonado pela moça, ela o deixa, atrás de mais informações sobre o Xadrez, empreendendo viagens a Rússia, Inglaterra, Egito…

O outro enredo situa-se na década de 1970, quando a especialista em computadores, Cat Velis, após presenciar inúmeros incidentes no mínimo estranhos no mundo do xadrez profissional, é enviada por sua empresa à Argélia, a fim de trabalhar em projetos relacionados a petróleo. Nem lá, porém, ela estará a salvo de todas as situações suspeitas que viveu em Nova Iorque. O renomadíssimo enxadrista soviético Alexander Solarin, que sempre aparece nas piores horas, parece gostar dela; os agentes do governo argelino agem de forma estranha e sua amiga, a rica jogadora de xadrez Lily, aparece em meio ao deserto para aumentar a confusão. Cat, sem seu consentimento, se vê presa em um jogo de xadrez; em um esquema para encontrar o Serviço de Montglane. Todos parecem estar envolvidos nesse complô e Cat, ocupando uma posição chave no jogo, não sabe exatamente em quem pode confiar.

Bom, até aí, as tramas parecem paralelas e desassociadas, ligadas apenas pelo Xadrez de Montglane. Entretanto, uma está profundamente atrelada a outra de forma muito surpreendente.

Minha opinião: o livro é muito bom, pois seu enredo é altamente envolvente e as personagens são cativantes. É muito difícil não se afeiçoar a Cat, Mireille ou mesmo a Maurice (o que achei chocante, porque jamais pensei que o chamaria pelo primeiro nome ou mesmo que gostaria dele, rsrs). Além disso, pouquíssimas vezes li uma obra tão bem engendrada. A autora conseguiu, magistralmente, encaixar seu enredo a personagens e acontecimentos reais ou factíveis, parecendo que todo o desenrolar dos fatos históricos foi, de alguma forma, provocado pelo Xadrez de Montglane.

Mas, acima de tudo, achei muito interessante e engraçado cruzar com personalidades históricas tão enfáticas e marcantes quanto Napoleão, Robespierre, Marat, Talleyrand, Bach, a Czarina Catarina, Delacroix ou mesmo o ex-ditador líbio, Muamar Kadaffi, que estava no auge de seu poder nos anos 1970 (e em plena Guerra civil quando eu li o livro.)

A famosa pintura de Delacroix,

Tenho apenas uma crítica à obra. Achei o final um tanto rápido, utilizando-se de um Deus ex Machina, ou seja, de uma solução repentina que resolve o problema. Pode ter sido só impressão, mas fiquei pensando que um livro tão bem desenvolvido poderia ter um final mais elaborado.

De qualquer forma, super recomendo a leitura dessa história maravilhosa. É fácil de ler e díficil de largar!

Sua etc,

Ms Reads

P.S.: Não esqueçam de ler algo de Charles Dickens! Seu bicentenário se aproxima…

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Love is in the air… Parte IV

Olá, queridos leitores!

Como está a vida, leitor? Espero que boa com As Festas chegando… 🙂 Muito bem, vamos a outro romance? Esse será o último dessa série por um tempo, já que há outros estilos literários nos esperando!

4. Mar Morto

Vamos agora deixar para trás aquele terreno sólido e decoroso dos romances ingleses escritos por mulheres no século XIX, e passar para um cenário completamente diverso, a Bahia do século XX, a Bahia de Jorge Amado. “Mar Morto”, escrito por Jorge Amado em 1936, é um livro sobre os homens do mar, um romance e uma crítica. Talvez seja até mais uma crítica e uma representação da sociedade que um romance, mas é impossível não se apaixonar pela história de amor dos protagonistas.

Capa de uma das edições do livro

Guma, criado pelo tio, nasceu e cresceu no cais, conhecendo os mares como poucos e aceitando, resignado, o destino de todo homem do mar: a morte por Iemanjá, nas águas traiçoeiras do oceano. Talvez o segundo grande amor de Guma tenha sido a própria Iemanjá, que, como escreveria Jorge Amado, é esposa e mãe de todos os marinheiros. Mas, embora tenha tido amantes, dentre elas a famosa no cais, a determinada e forte Rosa Palmeirão, Guma nunca mais foi o mesmo após ver Lívia. Ao ter contato com seus olhos pela primeira vez, Guma soube que ela haveria de ser dele. Lívia era uma moça da cidade e havia sido criada para um futuro muito melhor que o de esposa de marinheiro, aquela mulher que aguardava todos os dias pelo momento em que ouviria falar da morte do marido. Mas Lívia também amou Guma desde o primeiro momento e, após fugir com ele em uma tempestade para uma ilha “amaldiçoada”, os dois se casaram. Juntos, tiveram um filho e, embora Lívia amasse muito ao marido, vivia envolta no medo de perdê-lo. Eventos de natureza sigilosa, porém, acontecem, podendo colocar a pequena e feliz família em risco…

Saveiro, meio de transporte e sustento de Guma (Barco de dois mastros, que se destina à pesca ou ao transporte de mercadorias.)

É difícil bolar questões, como no final de todos os livros que citei até agora na série Romances, para este livro. Não posso começar a escrever: Que são esses eventos devastadores? Qual a sua consequência para a vida das personagens? Viveria Lívia para sempre engolfada em seus receios? Perceberia Guma que era mais saudável para sua família afastar-se do mar? Poderia o amor dos dois vencer barreiras, etc, etc? Essas interrogações não fazem sentido algum, pois, brilhantemente, Jorge Amado nos faz saber o final do livro já no primeiro capítulo, e, ainda sim, torna-se necessário ler toda a obra para entender o que já sabíamos desde o princípio.

O desfecho do livro é absolutamente lindo, emocionante e inspirador, podendo nos tocar e/ou nos fazer refletir. Recomendo a obra a todo aquele que quiser uma leitura mais original, um clássico que não é bem um “grande” clássico; a todo aquele que desejar ler uma história interessante e magistralmente escrita. Apenas advirto: é um livro pesado, tanto pela temática, que requer maturidade, quanto por sua abordagem e construção, uma vez que a linguagem e a estruturação das frases não são das mais simples.

Espero que gostem!

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Sua etc.,

Ms Reads

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Love is in the air… Part III

Olá, estimados leitores!

Como vão? Bom, hoje teremos mais um emocionante capítulo da série: Romances…

3. Norte & Sul

É o último romance vitoriano, juro. (“Jane Eyre” também era vitoriano). Escrito por Elizabeth Gaskell, em 1855, essa obra foi editada por ninguém menos que o ilustre Charles Dickens e é a mais pesada das que mencionamos anteriormente, à medida que apresenta críticas ferrenhas a sociedade inglesa pós-Revolução Industrial.

Margaret Hale foi criada junto à tia, em Londres, mas ama com todo coração a paróquia onde vivem os pais, no campo, ao sul da Inglaterra. Quando o Sr. Hale, em dúvida sobre doutrina da Igreja Anglicana, desliga-se desse órgão, a família é obrigada a se mudar para a cidade industrial de Milton-Northern, inspirada na real Manchester. Lá, o Sr. Hale dá aulas a adultos, sendo um de seus pupilos o industrial Sr. John Thornton. Margaret, a princípio, detesta a cidade, impregnada de fumaça, povoada por gente muito simples, ignorante e rude, contrastando demais com a sociedade rural que ela amava e pintava como perfeita. E o Sr. Thornton, para ela, está no topo disso, dono de uma das fábricas da região. Desde o início, Thornton encanta-se com a moça, gentil e sofisticada. Quando, em uma das manifestações dos operários, Margaret o salva de uma pedrada, ele tem certeza de que ela retribui sua admiração e declara-se a moça. Margaret, ofendida por tais sentimentos, rejeita o cavalheiro, que, jamais deixando de amá-la, gradativamente se afasta da família.

Margaret salvando o Sr. Thornton

Muitos acontecimentos sucedem esse evento: Margaret se aproxima de uma humilde família operária, ajudando-a como pode; seu irmão, Fred Hale, exilado para a Espanha por uma revolta da Marinha, volta para ver a mãe em seu leito de morte; a Sra. Hale morre; Thornton avista Margaret abraçando Fred e é tomado pelo ciúme; a melhor amiga de Margaret fica terrivelmente doente… E durante todas essas ocasiões, Thornton nunca deixa de amar Margaret e esta, após alguns episódios que valem a pena ser lidos, começa a nutrir certa afeição por John. Mas tudo está contra os dois agora: o Sr. Hale morre, a empresa de Thornton fale, seu padrinho também é levado pela Morte e Margaret continua sendo cortejada pelo irmão do marido de sua prima (relação confusa, não?), um advogado que ela conhece há muito tempo e que gosta muito dela.

Poderia o preconceito de Margareth com o norte industrial acabar em favor do Sr. Thornton? Conseguiria este reerguer sua empresa? Será possível que o amor dos dois possa um dia vingar? É uma bela história ambientada no eterno embate entre o romance e a realidade, escrita com muita delicadeza, principalmente no que concerne a cenas sem qualquer importância, cenas cotidianas, que são descritas com particular suavidade e graça.

Aconselho a qualquer tipo de leitor, principalmente ao público feminino ou mais emotivo, já que, diferentemente de “Orgulho e Preconceito”, o livro “Norte e Sul”, é escrito em uma linguagem mais suave e romântica, que pode não agradar a leitores mais dinâmicos. Porém, se você não está acostumado a livros muito descritivos, que se prendem em todos os pormenores, opte por somente assistir à série de 2004, com Richard Armitage e Daniela Denby-Ashe, da BBC. A série é altamente fiel à obra, e, por ser unicamente visual, não se detém em comentar e narrar os detalhes, obviamente.

A maravilhosa série baseada no livro

Ah, a obra costumava ser extremamente difícil de se encontrar, existindo raras edições “pocket” perdidas nas estantes e para downloads grátis na internet (é domínio público). Neste ano, porém, encontrei uma versão bilíngue (português-inglês) disponível em inúmeras livrarias, ou seja, nenhum motivo para você não ler!

A única versão do livro que achei em português

Aguardem o próximo post e não esqueçam de curtir a página do biblionphilia no Facebook!

Sua etc.,

Ms. Reads

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Love is in the air… Parte II

Olá, leitores queridos!

Bom, como prometi, hoje teremos o segundo post da série “Romances”.

2. Jane Eyre

Que tal, desta vez, ler um romance obscuro, cujas personagens estão envolvidas em mistérios passados…? Jane Eyre é um romance gótico, de 1847, escrito pela mais velha das irmãs Brontë, Charlotte.

Uma das edições de Jane Eyre

Órfã de pai e mãe, Jane é criada pela tia que a despreza, com os primos que odeia. Aos oito anos, é levada a escola Lowood, lugar sombrio e frio, onde cresce sem contato com o mundo. Sem atrativos físicos (leia: ela não era bonita), Jane se torna uma mulher razoavelmente inteligente, devota de seu próprio Deus, seguidora fiel do decoro. Com 18, consegue um emprego como governanta na lúgubre Thornfield, residência do ainda mais sombrio Sr. Rochester. Leciona a protegida dele, Adele, uma menina francesa que dizem ser sua filha. À noite, Jane tem certeza de que ouve gritos, sempre atribuídos pelos empregados da casa à costureira louca, Grace Poole. Enquanto isso, o Sr. Rochester, com aquele seu passado enigmático e com seu jeito bruto, parece se afeiçoar a companhia de Jane, que começa a amá-lo profundamente.

Emblemática cena em que Jane assusta o cavalo do Sr. Rochester

Convidados do Sr. Rochester chegam a Thornfield e ele mostra-se inclinado a casar com a bela e esnobe Srta. Ingram, para a tristeza de nossa heroína. Quando os convidados deixam a propriedade, Edward Rochester avisa a Jane que vai se casar, embora vá sentir muita falta da governanta. Segue-se, então, um diálogo de completa indignação de Jane, que vê no comportamento do Sr. Rochester um senso de sua própria inferioridade. Edward diz-lhe, então, que ele ama somente a ela e a pede em casamento. Ela aceita, muito feliz. Fatos obscuros, no entanto, revelados no fatídico dia da cerimônia, terminam com aquele matrimônio… Jane foge, desesperada e vaga pelo interior da Inglaterra. O que foi revelado que pode causar tanto espanto? Teria alguma relação com os gritos que ela ouve na calada da noite, com um incêndio no quarto do Sr. Rochester ou com a misteriosa destruição do véu na véspera do casamento?

Após sua fuga, Jane é acolhida pelo belo pároco St. John Rivers e suas irmãs, e ele lhe proporciona uma ótima surpresa. Seria o Sr. Rochester esquecido em razão do bonito St. John? A gratidão pelos serviços prestados por St. John superaria o amor por Edward? Que foi essa surpresa, que permitiu a Jane viver melhor? Recheado de mistérios e envolto em enigmas e medo, essa obra é um clássico da literatura inglesa, com todos os tipos de adaptações para TV e cinema. Aconselho a leitura a todos, é um livro ótimo, muito bem escrito e com narração arrebatadora. Mas advirto: não se aventure se você não suporta livros grandes, que se detêm demais nos pensamentos das personagens, porque é uma obra densa e descritiva.

Então, preparados para outro? Não percam o próximo!

Sua etc.,

Ms Reads

P.S.: Acabei de checar, “Jane Eyre” está disponível gratuitamente no site do Projeto Gutemberg, que abriga um dos maiores acervos virtuais de domínio público.

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Love is in the air… (Clichê, não?)

Olá, queridos leitores!

Mais uma vez, devo me desculpar pela inconstância com que escrevo. Já que, porém, não adianta chorar as páginas rasgadas, vamos seguir como se nada houvesse acontecido (ou como se houvesse acontecido algum post).

Muito bem, os próximos posts serão dedicado aos romances, dos folhetins mais melosos às histórias de amor mais heroicas e épicas. Não posso, nem ousaria dizer que sou uma ávida leitora desse gênero, até porque me iniciei nele há pouco tempo, mas desde que comecei a me aventurar por esses mares, confesso que me apaixonei por vários livros… Romances são altamente contagiosos, não acham? Bom, nesse post, vou citar aquele de que mais gosto, que considero um ótimo início para se gostar de narrativas românticas.

1. Orgulho e Preconceito

É uma verdade universalmente aceita que mencionar esse título sob qualquer circunstância já leva qualquer leitor a uma esfera completamente diferente. À época dos bailes, do forte senso de decoro, da distinção por classe social… Enfim, a todos os elementos que auxiliam na composição de um romance digno de ser lido. Essa obra foi escrita em 1797 e publicada em 1813, pela nossa querida Jane Austen (lembram-se dela do post Jane Austen?), e é, até hoje, um dos livros mais lidos e difundidos pelo mundo.

Uma das inúmeras edições da obra

O enredo do livro é absolutamente cativante, mesmo resumido como está: Elizabeth Bennet é uma jovem moça com rígidas noções sobre o certo e o errado e de origem simples, que se vê presa em uma sociedade que não pode lhe proporcionar qualquer prazer, onde reina a impropriedade e a indecência. Chegam, então, ao condado onde mora, dois cavalheiros solteiros de boa fortuna e berço: Bingley e Darcy. O primeiro imediatamente se apaixona por Jane, irmã de Lizzie, que retribui o sentimento. O último olha com superioridade toda a sociedade local. Nossa heroína detesta o homem desde o início. Chega, também, ao local, um regimento de militares, no qual se encontra o Sr. Wickham, charmoso e amável, que, logo se percebe, compartilha de algum passado com o orgulhoso Sr. Darcy. Presunçosamente, Darcy dirige sua paixão a Elizabeth, que recusa com desdém sua proposta de casamento. Amargurado e incrédulo, ele lhe escreve uma carta e várias verdades são reveladas. Quando se encontram novamente, na propriedade de Darcy, Permberley, ele age de forma mais humana e afável, conquistando a boa opinião de Lizzie. Vários percalços, porém, serão colocados no caminho dos dois. Será que uma fuga, um casamento imprudente, e a censura da sociedade conseguirão pôr fim ao sentimento, agora mútuo, dos dois? Seriam os defeitos dos dois obstáculos a serem transpostos? Valeria a pena lutar contra as diferenças sociais por amor? Todas essas e outras questões são colocadas para que o leitor reflita sobre um mundo que despreza sentimentos, denunciando os valores imorais que, até hoje, envenenam a nossa sociedade. E é por isso que essa obra continua a ser redescoberta por novos leitores, lida e relida todos os dias. Porque, mesmo tendo se passado 200 anos, ela continua atual, a mente humana continua a funcionar da mesma forma, os mesmos “defeitos de caráter” continuam corrompendo nossa sociedade, além de o Sr Darcy manter-se como um partido e tanto… (*Suspiro* Todas amamos o Sr. Darcy)

As personagens principais, Elizabeth Bennet e o Sr. Darcy

Recomendo a qualquer um que goste de ler, não importa idade, sexo ou gosto. O estilo literário é incrível e a humanidade nas palavras da autora é emocionante. Todas as outras obras de Jane são dignas de atenção, aconselho ler todas! (Emma, Persuasão, A Abadia de Northanger, Razão & Sensibilidade e Mansfield Park).

Qual será o romance depois desse? Será que iremos gostar? Tudo isso e mais no próximo post! Não percam…

Sua etc,

Ms Reads

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Medieval Times

Olá, queridos leitores!
Primeiramente, gostaria de pedir mil desculpas pela demora lastimável… Quase 3 meses! Nem me arriscarei em perdões muito demorados, pois estes seriam apenas falsas escusas. Muito bem, agora não há nada a fazer, vida que segue.

Passado esse estágio, sugiro que comecemos com o livro de hoje. Ainda longe de ser considerada um clássico, a obra de hoje é extremamente interessante. Apresento a vocês, do escritor americano Noah Gordon, “O Físico”.

Sinopse: O livro conta a história de Rob J Cole, um garoto que, após perder os pais, torna-se aprendiz de “barbeiro”, como eram denominados os médicos, em plena Idade Média na Inglaterra. Com Barber, seu mestre de “barbeiro-cirurgião”, o menino, inicialmente com 9 anos, percorrerá toda a Grã-Bretanha adquirindo todos os conhecimentos medicinais europeus à época. (Note que digo europeu, pois no Oriente, como veremos mais adiante, a medicina era muito mais avançada). De toda forma, Barber cria o garoto como um filho, em meio ao ambiente insalubre que configurava a Europa medieval. Nesse período de sua vida, Rob vive suas primeiras experiências com mulheres, com bebida e com as tentativas de curar todos aqueles que faziam fila no biombo que ele e Barber montavam nas cidades pelas quais passavam. Rob, porém, não é um mero aprendiz, pois o garoto nasceu com um “dom quase místico de curar”. Esse dom muitas vezes assusta o menino, que tem a capacidade extraordinária de reconhecer a morte iminente, ou seja, ele simplesmente sente quando o “Cavaleiro Negro” levará as pessoas da vida terrena. E assim o garoto vive até a juventude.

Imagem de um barbeiro-cirurgião durante a Idade Média

Com a morte de Barber, o garoto, sempre procurando saber e conhecer mais, começa sua longa jornada em busca das melhores escolas de medicina do mundo na época, que encontravam-se na Pérsia. Essa nação, no entanto, não via com bons olhos os cristãos e a isso segue-se uma das mais comoventes cenas do livro, quando Rob, em sua última visita a um templo cristão, promete a Cristo que não O abandonará ao adotar uma vida judaica. Assim, disfarçado pela religião, Rob consegue entrar na conceituadíssima escola de medicina Maristan.

Sendo sempre um aluno muito aplicado, Rob se destaca aos olhos de Ibn Sina (ou Avicena) o real e mais renomado médico medieval e, por sua franqueza, cai nas graças do Xá (o imperador). Ele cresce na profissão, faz inúmeros amigos da escola e chega a ser médico de guerra durante uma das empreitadas do Xá para conquistar outras áreas. Também enfrenta pacientes com a famosa Peste Negra e se questiona diversas vezes ao tratar de pacientes com a “dor de lado”, a qual, hoje, entendemos como apendicite. Além disso, casa-se com uma cristã escocesa, intensamente ruiva (o que desperta a curiosidade dos árabes que nunca haviam visto essa cor de cabelo). Na parte final, Rob volta para a Escócia, terra natal de sua mulher, onde perpetua sua linhagem e continua a exercer a nobre profissão de médico.

Ibn Sina, o grande médico medieval, personagem dessa história cativante

Minha opinião: Apesar de ser um pouco escatológico, retratando com minúcias as podridões da era medieval, o livro é de fato muito interessante e dificilmente conseguimos largá-lo sem terminar. Através dele podemos entender todo o desenvolvimento de uma das ciências de maior importância para o ser humano, além de apresentar um romance muito atrativo. De uma maneira geral, a obra é uma bela demontração da inquietude humana que sempre busca conhecer mais, jamais saciando-se com o que já se sabe.

Considero uma história muito agradável e recomendo a todos que gostem de romances históricos (como eu!)

Sua etc.,

Ms Reads

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